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  • Foto do escritorElmer Silva

Médico é preso após estupro de grávida durante o parto

Se isso não te revolta tem alguma coisa errada com você.

Anestesista é preso em flagrante após ter estuprado uma grávida durante o parto - Fonte: G1
Anestesista é preso em flagrante após ter estuprado uma grávida durante o parto - Fonte: G1

Olha em que nível estamos e para onde estamos indo se nada mudar.


Na madrugada de hoje (de domingo para segunda), segunda feira dia 11, o anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso, dentro do hospital em que trabalha no Rio de Janeiro, momentos após ter estuprado uma mulher durante a cesariana.


Ele já havia participado de outras duas cirurgias, e na terceira, funcionárias do hospital, desconfiadas da ação criminosa do médico, enfermeiras e técnicas de enfermagem, conseguiram filmar o estupro e informar as autoridades.


Após anestesiar a paciente, o médico (na verdade não vamos chamá-lo assim, ele não merece ter seu nome vinculado a nenhuma profissão, que por si só inspira dignidade. Vamos apenas chamá-lo de criminoso), ou melhor, o criminoso, se aproximou da cabeça da paciente, e, enquanto a equipe realizava o parto, ele, a um metro de distância dos colegas, colocou o pênis na boca da paciente, que estava inconsciente.


A violência durou 10 minutos. Após terminar, limpou a boca da paciente com uma toalha de papel, para esconder algum vestígio.


Ele foi indiciado por estupro de vulnerável, e pode pegar entre 8 e 15 anos de reclusão.


Essa é mais uma história bizarra que, de tanto se repetir, quase se torna banal. Mas têm muitas coisas por trás de um crime como esse.


Você pode pensar que isso só aconteceu porque esse cara é doente. Certo, não há dúvidas disso, ele é o fruto podre de uma árvore que está doente.


Nossa sociedade está enferma e, bem provavelmente, você e eu, que fazemos parte dessa sociedade, também estamos doentes e nem nos damos conta disso.


Alguns vão dizer que a vitima desse estupro poderia ser qualquer um, homem ou mulher, mas, infelizmente, os números mostram o contrário. Mais de 85% dos estupros acontecem contra mulheres. Só no ano passado mais de 56 mil mulheres sofreram violência sexual no Brasil. Um estuporo a cada dez minutos.


Há dúvida de que vivemos uma cultura do estupro no Brasil?

Ela é resultado de uma mentalidade coletiva adoecida, podre e nefasta.


Não é natural pensar em igualdade de gênero.


Mas como mudar a cultura? Como mudar essa mentalidade?


A maioria da nossa população nasceu entre os anos 70 e 90. Muitos dessa geração ainda têm vivos seus pais e avós. Qual posição na sociedade essas mulheres ocupavam?


Pense agora na carreira profissional, atualmente apenas 38% dos cargos de direção são ocupados por mulheres, imagine como era isso nos anos 70 e 80, era muito menos.


Nossa sociedade se acostumou a enxergar as mulheres como inferiores. Isso é tão forte que a maioria de nós não sabe como é enxergar diferente. Crescemos assim. Por isso não é natural enxergar os gêneros como iguais. Desde que nascemos, só enxergamos o contrário.



Ver a igualdade entre homens e mulheres é tão natural quanto tentar usar o aplicativo de calculadora em um celular que ainda não instalou esse aplicativo. Mesmo que ele tenha todas as configurações para se instalar o aplicativo de calculadora, enquanto não fizer o download e fazer a instalação, ele não servirá para calcular.


Precisamos fazer isso com nossa sociedade. Baixar e instalar o aplicativo nada mais é do que, em um esforço coletivo, promover o acesso de mulheres a mais e mais cargos de direção. Fazê-las presente em todos os espaços, para que as crianças de hoje e seus filhos, possam crescer vendo o mundo com outra referência. A cosmovisão deles será diferente. Só assim mudaremos essa cultura.


Foi incrível o que as enfermeiras e técnicas de enfermagem fizeram para denunciar aquele criminoso travestido de médico. Elas se uniram, tiveram coragem! Isso é demais! Mas não é o suficiente.


O esforço tem que ser coletivo. Todos precisamos querer isso e incentivar isso. As políticas públicas devem promover mais o acesso das mulheres a todos os lugares, e a justiça precisa punir quem faz um esforço contrário.


Essa distinção entre homens e mulheres é uma ilusão, embora pertinente, que vicia toda forma de enxergarmos a sociedade. Enquanto você não ficar profundamente revoltado(a) com isso e não se esforçar para enxergar o mundo com outros olhos, nada vai mudar.


Está em suas mãos.


Por: Elmer Bernardes




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